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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tuberculose, inimigo invisível

Em 1882, Robert Koch descobriu o microorganismo responsável pela tuberculose, que posteriormente veio a ser denominado de bacilo de Koch. Embora o bacilo tenha sido identificado no século XIX, só no século XX é que foi descoberto um microorganismo capaz de resistir e prevenir a doença, o bacilo de Calmette e Guerin (BCG). Este foi identificado em 1913, por Albert Calmette e Camile Guerin, tendo sido um importante passo para a prevenção da tuberculose. A doença permaneceu incurável até à altura em que foi descoberta a estreptomicina. A partir de então tornou-se possível utilizar antibacilares que quando associados permitiam a cura de quase todos os casos.


A evolução no controlo da tuberculose foi positiva até aos anos 80, altura em que sofreu um retrocesso, devido a dois factores que enfraqueceram as nossas armas terapêuticas contra a tuberculose. Em primeiro lugar, muitos dos doentes não levavam até ao fim o tratamento com antibióticos. Em segundo lugar, o aparecimento da epidemia global de VIH/SIDA enfraqueceu o sistema imunitário de milhões de pessoas em todo o mundo. Como resultado, a tuberculose teve oportunidade de desenvolver resistência a medicamentos, o que aconteceu com uma rapidez alarmante. Hoje, associados a estes dois factores acresce ainda a toxicodependência, a reclusão, o envelhecimento da população, a grande desigualdade social e os movimentos migratórios.

Actualmente, com os avanços científicos e tecnológicos, aliado um tratamento eficaz, tornou-se possível controlar a doença. No entanto, a tuberculose continua a ser um problema grave a nível mundial, matando cerca de 3 milhões de pessoas a cada ano. A tuberculose está entre as três doenças contagiosas mais mortais, depois do VIH e da malária. Uma epidemia que mata cinco pessoas por minuto, em cada segundo uma pessoa no mundo é infectada com o bacilo da tuberculose. A Organização Mundial de Saúde, estima que um terço da população mundial – cerca de dois biliões de pessoas – esteja infectado com a bactéria da tuberculose (Mycobacterium Tuberculosis).

Em Portugal, esta doença, ainda mata, sendo a incidência da tuberculose ainda muito alta, superior à maioria dos países com o nosso desenvolvimento económico. Continuam a haver assimetrias regionais, embora menos acentuadas. Doze dos distritos e as Regiões Autónomas são de baixa incidência (< 20/100.000 habitantes, aproximando-se da média europeia de 17,7) e seis de média incidência. As maiores incidências encontram-se no Porto, Lisboa, Setúbal e Faro. O relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias revela que no ano passado foram notificados, em média, 34 novos casos de tuberculose por cada 100 mil habitantes. O valor é inferior ao registado nas últimas décadas, mas a incidência continua acima da média da União Europeia. A incidência da tuberculose em Portugal tem vindo a cair de forma consistente. A queda média, na última década é de 7,2% ao ano-dados do Observatório. A tuberculose está a ressurgir em zonas onde se pensava encontrar sob controlo e agora cada vez mais resistente aos medicamentos. Estima-se que até 2020, se não forem tomadas medidas eficazes, aproximadamente 1000 milhões de pessoas sejam infectadas, cerca de 150 milhões de pessoas irão desenvolver a doença e 36 milhões irão morrer de tuberculose.

Nota: Elaborado por Fátima Pereira, Enfermeira de Saúde Comunitária da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende, e publicado no "Jornal de Barcelos" a 17/02/2010.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Saúde Oral nas Escolas

As doenças orais, como a cárie dentária e as doenças periodontais, são um grave problema de saúde pública, pois afectam grande parte da população, influenciam os níveis de saúde e bem-estar e são vulneráveis a estratégias de intervenção dos serviços de saúde.
O Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO) assenta na promoção da saúde, na prevenção e tratamento das doenças orais. A intervenção na promoção da saúde oral, que se inicia durante a gravidez e se desenvolve ao longo da infância em saúde infantil e juvenil, é consolidada no jardim-de-infância e na escola, através da Saúde Escolar.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta para 2020 metas para a Saúde Oral que exigem o reforço de acções de promoção da saúde e prevenção das doenças orais, o que vai exigir um maior envolvimento dos profissionais da saúde e educação, tanto públicos como privados.

Este programa baseia-se no Despacho Ministerial nº 153/2005 (2ª série) de 5 de Janeiro e em várias circulares normativas. Tem como objectivos: sensibilizar os profissionais de educação para a escovagem em sala de aula e aplicação dos bochechos com fluoreto de sódio a 2‰; incentivar uma alimentação com poucos açúcares; proteger e tratar dentes temporários e definitivos. A aplicação dos bochechos de flúor nas escolas do 1º ciclo do ensino básico justifica -se no nosso País, pois a água da rede pública contem menos de 0,3 ppm-mg/l de fluoretos e segundo as orientações da OMS a concentração óptima de fluoretos na água, quando esta está sujeita a fluoretação, deve estar compreendida entre 0,5 e 1,5 ppm de fluoretos.

Pela Circular Normativa nº 02/DSPPS/DCVAE de 09/01/2009 este programa é alargado através da emissão dos “cheques dentista” para todas as crianças e jovens que frequentam escolas públicas e instituições de solidariedade social (IPSS). Pela normalização destes procedimentos passou a ser assegurada a prestação equitativa de cuidados curativos de saúde oral. A emissão destes “cheques-dentista” teve início no ano lectivo 2008/2009 e abrangeu todas as crianças nascidas nos anos de 2001-1998-1995, sendo aqui de realçar o papel da Escola para o êxito deste Programa.

O PNPSO iniciou-se no ano de 1985, e, em 1986/1987, foi feito, pela Direcção Geral Saúde, um “Diagnostico de Situação de Saúde Oral“ no qual se verificou que as crianças livres de cárie (ausência de dentes cariados na dentição temporária e permanente,) eram de 10%. Com o trabalho das equipas de saúde escolar em colaboração com os profissionais de educação, verificou-se que no ano 1999/2000 este valor passou para 33% e em 2005/2006 para 51%. A Organização Mundial de Saúde definiu, para este indicador e para o ano 2020, a meta, de pelo menos, 80% de crianças com 6 anos livres de cárie. Sabemos que as mudanças de comportamento são muito difíceis e lentas, dependendo de muitos factores, sociais, familiares, culturais, e outros. Sendo assim só através da participação de todas as partes intervenientes (pais, educadores, profissionais de saúde e outros) e do desenvolvimento de metodologias de intervenção eficazes, seremos capazes de atingir essa meta, diminuindo assim o problema da cárie dentária e contribuindo também para o sucesso escolar dos alunos.

Nota: Elaborado por Luísa Dantas, Enfermeira de Saúde Comunitária da Unidade de Saúde Pública Barcelos/Esposende e publicado a 10/02/2010 no "Jornal de Barcelos".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A saúde Escolar

A Saúde Escolar existe em Portugal desde o século XX e teve várias reformas políticas, sendo a mais recente em 2001, altura em que a responsabilidade do programa passa do Ministério da Educação para o Ministério da Saúde. O Programa de Saúde Escolar faz parte integrante do Sistema Nacional de Saúde para a promoção e educação para a saúde. A importância de ter um programa de saúde localizado no ambiente escolar reside no facto de que a escola tem potencial para ser um ambiente de excelência para a promoção da saúde tendo uma influência decisiva nos comportamentos das crianças e dos jovens assim como no seu desenvolvimento académico e emocional e por isso compete à saúde escolar zelar pela saúde física e mental da sua comunidade. O principal objectivo da Saúde Escolar é promover o desenvolvimento de competências na comunidade educativa que lhe permita melhorar o seu nível de bem-estar físico, mental e social e contribuir para a qualidade de vida. Por comunidade educativa entende-se os educadores de infância, os professores, os auxiliares de acção educativa, os alunos, os pais e encarregados de educação e outros profissionais da escola.

A saúde escolar tem como finalidades: promover e proteger a saúde e prevenir a doença na comunidade educativa; apoiar a inclusão escolar de crianças com Necessidades de Saúde Especiais (NSE) e Educativas Especiais (NEE); promover um ambiente escolar seguro e saudável; reforçar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida saudáveis e contribuir para o desenvolvimento dos princípios das escolas promotoras da saúde. O Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE) aplica-se nos estabelecimentos de educação e ensino do Ministério da Educação, nas Instituições Particulares de Solidariedade Social, bem como em estabelecimentos cuja população seja considerada mais vulnerável ou de risco acrescido e, sempre que os recursos humanos o permitam, nos estabelecimentos de ensino cooperativo e/ou particular. O programa consiste numa intervenção global que implica combinar estratégias de mudança pessoais e ambientais que atinjam o maior número possível de indivíduos, numa perspectiva de equidade.

São 4 as áreas prioritárias do programa de saúde escolar: a saúde individual e colectiva; a inclusão escolar; o ambiente escolar e os estilos de vida.

A nível nacional, o PNSE é coordenado pela Direcção-Geral da Saúde que se articula com o Ministério da Educação, e a nível regional a coordenação é feita através da Administração Regional de Saúde (ARS) e/ou o Departamento de Saúde Pública. No Agrupamento de Centos de Saúde (ACES) Cávado III, Barcelos/Esposende a responsabilidade do PNSE é da responsabilidade da Unidade de Saúde Publica.

A equipa nuclear de Saúde Escolar deverá ser composta por um médico e enfermeiro com base em 24h/semanais por cada 2500 alunos. Os outros profissionais do ACES (higienista oral, técnico de saúde ambiental, técnico de serviço social, psicólogo, psicopedagogo, terapeuta da fala e terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista, administrativo ou outro) também devem integrar a equipa conforme as disponibilidades e a existência destas especialidades no ACES.

Ao longo dos anos, a Saúde Escolar ganhou importância politica e social nomeadamente com a evicção de certas doenças (graças à vacinação e à higiene), o direito à educação igual para todos (o reconhecimento das NEE e NSE), a noção de segurança na escola e a aquisição/promoção de hábitos saudáveis (prevenção da obesidade e de comportamentos de risco). Mas ainda existe um longo caminho a percorrer com patologias emergentes ou a crescerem (obesidade, tabagismo, alcoolismo, o HIV/SIDA entre muitos) e problemas sociais (o bullying, a pobreza, o abandono escolar e a desigualdade de oportunidades, etc.). A Saúde Escolar é a imagem de um trabalho de equipa para o bem da comunidade.

“Um programa de saúde escolar efectivo (…) é o melhor investimento em termos de custo-benefício que um País pode fazer para melhorar, simultaneamente, a educação e a saúde”.
(Gro Harlem Brundtland, Directora-Geral da Organização Mundial da Saúde, Abril 2000)

Nota: Elaborado por Maria da Paz Amorim Luís, Médica de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública Barcelos/Esposende e publicado a 03/02/2010 no "Jornal de Barcelos".

O assassino silencioso

No dia 10/01/2010, um casal de idosos foi encontrado morto, aparentemente devido a uma intoxicação por monóxido de carbono libertado pela queima de lenha numa lareira improvisada. Ano após ano, temos conhecimento de vários casos trágicos devido a intoxicação por monóxido de carbono. Em média, em Portugal, morrem 30 pessoas por ano vítimas desse tipo de acidente.

O monóxido de carbono (CO) é um gás muito tóxico, que se mistura facilmente com o ar de uma habitação, penetrando no organismo através da respiração, dificultando o transporte do oxigénio para os tecidos. Por não ter cheiro, sabor ou cor, as pessoas não têm consciência da presença desse gás, sentindo, de início, tonturas, fortes dores de cabeça e náuseas, podendo as vítimas, caso a concentração de CO aumente, desmaiar ou morrer em questão de minutos.

Muitos aparelhos que usamos no dia-a-dia funcionam com base em combustíveis sólidos (lenha, carvão), líquidos (gasóleo) ou gasosos (gás natural, gás propano ou butano), cuja queima pode ser fonte de CO.

Desta forma, deve prestar-se especial atenção ao funcionamento de quaisquer aparelhos que queimem combustíveis, instalados em espaços interiores, tais como: Caldeiras a lenha, carvão, gás ou gasóleo; Esquentadores a gás; Salamandras a lenha ou carvão; Fogões a lenha, carvão ou gás; Braseiras a carvão; ou Automóveis em funcionamento em garagens.

Para prevenir concentrações elevadas de CO, devem ser seguidas as seguintes recomendações:

• Não compre aparelhos que não tenham marcação CE.

• Os aparelhos de queima só devem ser instalados por entidades reconhecidas pela Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG). Quando tiver dúvidas sobre a sua rede de gás, solicite uma inspecção à instalação a alguma destas entidades, devendo proceder-se a inspecções frequentes à instalação de gás.

• Mantenha a sua habitação arejada e nunca obstrua as entradas de ar.

• Promova a limpeza de condutas de exaustão e de chaminés uma vez por ano.

• Não mantenha em funcionamento o motor do automóvel dentro de uma garagem fechada, porque a quantidade de CO libertado pode tornar-se perigosa.

• Proceda à limpeza regular dos queimadores dos fogões a gás: se eles estiverem obstruídos, a mistura ar-gás não se efectua nas melhores condições, originando maior produção de CO. Para verificar se o fogão a gás está a funcionar correctamente, existe um método simples: se a chama for de cor amarela ou alaranjada, a combustão não está a ser completa (maior formação de CO); se for azul, não há problema (uma chama “bem regulada” não provoca o enegrecimento do fundo das panelas).

No caso de acidente/intoxicação, deverá proceder da seguinte forma:

• Areje imediatamente o local, abrindo portas e janelas;

• Se possível, desligue todos os aparelhos de combustão (esquentadores, caldeiras, aquecedores móveis a gás ou petróleo) ou apague lareiras, braseiras, salamandras ou outras fontes de CO.

• Abandone o local e evacue a vítima para fora da atmosfera tóxica, o mais rapidamente possível, e coloque-a deitada em repouso.

• Chame os serviços de emergência (112).

• Contacte uma entidade reconhecida pela Direcção Geral de Energia e Geologia(DGEG) para a resolução do problema.

Nota: Elaborado por Paulo Martins, Técnico de Saúde Ambiental da Unidade de Saúde Pública Barcelos/Esposende e publicado a 27/01/2010 no Jornal "A Voz do Minho"

Inspecções médicas obrigatórias e juntas médicas de avaliação de incapacidade

A sociedade encontra-se permanentemente num processo de devir, em que os conceitos (saúde) são dinâmicos e cada vez menos perenes. A busca permanente e incessante do bem-estar físico, psicológico e social, afigura-se-nos como a mãe de todas as coisas em que o bem mais precioso que possuímos – A SAÚDE – deve ser defendido e preservado, cabendo essa tarefa não só às instituições de saúde mas, principalmente, a cada um de nós (condição sinne -quanon).

Sinónimo do anteriormente descrito é a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde por este país fora e, no que nos toca particularmente, o Cávado III -Barcelos/Esposende. Alguns assertos surgiram, nomeadamente a migração de serviços de Barcelos para Esposende e vice-versa. Nesta dialéctica, o serviço de Saúde Pública de Barcelos e Esposende encontra-se localizado no Centro de Saúde de Barcelinhos, sito na Rua de Ninães, n.º 19- 4755-069 Barcelinhos, com o número de telefone 253 802 720 e telefax n.º 253 802 721, e-mail: usp@csbarcelinhos.min-saude.pt e integra a população abrangida pelos Concelhos de Esposende e Barcelos.

Do contacto com a Instituição, a nível das actividades médicas, destaca-se, desde logo, as Inspecções Médicas Especiais para efeitos de carta de condução. Devem os utentes/clientes serem portadores dos impressos modelo 921 e 922, bem como do boletim de vacinas actualizado, bilhete de identidade ou cartão de cidadão e carta de condução. Quando se trate de uma categoria que exija exame psicotécnico deve o interessado munir-se do mesmo e de uma fotocópia que ficará no arquivo destes serviços. A marcação da consulta pode ser efectuada presencialmente no horário das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, ou telefonicamente.

Outra das solicitações mais frequentes nesta área prende-se com o pedido de submissão a Junta Médica de Avaliação do Grau de Incapacidade de Deficientes Civis (para efeitos de benefícios fiscais). O pedido para submissão à Junta Médica é efectuado neste serviço mediante o preenchimento de requerimento existente para o efeito, devendo o utente ser detentor de relatório médico actualizado (com menos de seis meses) que seja clarividente da patologia que o/a enferma, bilhete de identidade/cartão de cidadão, n.º de contribuinte, cartão de utente e cópia da carta de condução. A Junta Médica realiza-se na sede da ex. Sub-Região de Saúde de Braga.

Nota: Artigo elaborado pelo Secretariado da Unidade de Saúde Pública Barcelos/Esposende - Adelino Santos, Lucinda Lopes e Rosa Faria, e publicado a 27/01/2010 no "Jornal de Barcelos"

Obesidade infantil

O estilo de vida e o comportamento alimentar são essenciais para percebermos o nosso estado de saúde.

Quanto mais cedo optarmos por um estilo de vida saudável mais protegidos estaremos de determinadas doenças e estamos a contribuir para a diminuição do risco de obesidade, hipertensão, osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de cancro e outras.

A obesidade infantil está associada, salvo raras excepções, principalmente a ingestão alimentar não equilibrada e à falta de exercício.

Contribuem para a obesidade alguns factores de risco, tais como:

  • Dieta – Uma alimentação regularmente muito calórica como o fast-food, snacks, doces, produtos das máquinas de distribuição automática, alimentos com muita gordura e bebidas ricas em açúcar.

  • Sedentarismo – Nos tempos que correm as nossas crianças passam grande parte dos tempos livres a ver televisão ou a jogar no computador, actividades que pouco contribuem para gastar calorias.

  • Familiares/sociais – Famílias com baixos rendimentos, famílias com baixa escolaridade, a disponibilidade alimentar familiar, que é da responsabilidade dos pais.

  • Factores psicológicos – Uma família com tendência para comer demasiado, de forma a superar problemas, transmite esta tendência para os filhos.

  • Genética – Se a família tem problema de excesso de peso, pode haver predisposição genética.

As crianças obesas podem desenvolver várias doenças que se agravam com o avançar da idade, tais como, síndrome metabólico, diabetes II, hipertensão, alterações do sono, alterações no desenvolvimento pubertário, asma e outros.

A família com uma criança com excesso de peso/obesidade, deve desenvolver estratégias proactivas, ser um exemplo na alimentação, confeccionar dietas saudáveis, não tecer criticas, elogiar sempre que a criança se alimenta adequadamente e fazer com que a criança se sinta amada e querida.

Para terem um crescimento correcto e saudável, as crianças necessitam de calorias e nutrientes extra, mas que tem de estar em harmonia com as necessidades diárias. Deste equilíbrio resulta o peso normal para a idade.

A família deve conhecer os alimentos quanto á sua constituição nutricional e adequar a quantidade diária e a confecção, tendo como base a roda dos alimentos. As refeições devem respeitar as seguintes indicações:
  • Utilizar alimentos de qualidade, limpos e frescos;

  • Tomar sempre o pequeno-almoço;

  • Incluir alimentos de todos os sectores da Roda dos Alimentos, nas proporções por ela sugeridas;

  • Variar o mais possível os alimentos;

  • Não passar mais de três horas e meia sem comer;

  • Evitar alimentos com muito sal;

  • Evitar alimentos açucarados (bolos, rebuçados, refrigerantes, etc.);

  • Evitar os fritos ou ementas com muita gordura;

  • Consumir diariamente leite ou derivados;

  • Comer pelo menos três peças de fruta por dia;

  • Consumir produtos hortícolas, no prato ou em saladas, com abundância;

  • Comer leguminosas (feijão, grão) pelo menos duas vezes por semana;

  • Consumir diariamente sopa;

  • Preferir pão escuro (mistura de centeio e trigo), do tipo saloio ao pão mais branco (trigo);

  • Comer peixe pelo menos quatro vezes por semana;

  • Evitar consumir bebidas alcoólicas (interdito ás crianças e adolescentes);

  • Beber líquidos em abundância (água simples, limonada ou refrescos sem açúcar e infusões de ervas).

A actividade física ajuda a gastar energia, a fortalecer os músculos e os ossos.

Andar a pé, subir escadas, ir às compras ou praticar outra actividade que o faça mexer-se contribui para o bem-estar físico e emocional e ajuda na capacidade de concentração, tais como andar de bicicleta, fazer jogos ao ar livre, se possível ir para a escola a pé, fazer natação, etc. Ideal seria caminhar 1 hora/dia, no ritmo que melhor se tolere.

Nota: Artigo elaborado por Adérito Gomes, Enfermeiro Chefe com especialidade em Saúde Comunitária da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende e publicado a 20/01/2010 no "Jornal de Barcelos"

Água=Saúde

Quando em 1968 o Conselho da Europa elaborou a Carta Europeia da Água, foram estabelecidos 12 princípios fundamentais sobre a água. Logo no primeiro é dito que “não há vida sem água. A água é um bem precioso, indispensável a todas as actividades humanas”. Por isso mesmo, segundo o quarto princípio, a qualidade da água deve “ser mantida a níveis adequados à utilização para que está prevista”. Estes princípios foram elaborados com o objectivo de demonstrar o valor da água na vida humana e, tendo presente esse pressuposto, orientar os cidadãos e os governantes europeus para a adopção de políticas de conservação e melhoria da quantidade e qualidade da água potável disponível.

Apesar disso, a água não tem sido bem tratada. Basta lembrar que no ano de 2004, no âmbito de um projecto para a limpeza do rio Cávado, foram retiradas 40 toneladas de lixo deste rio, havendo resíduos de vários tipos, desde pneus, electrodomésticos, baterias de automóvel ou mesmo bicicletas. De facto, para muita gente, os rios e ribeiras continuam a ser um caixote do lixo acessível e barato. É por demais conhecido que a poluição da água tem, quase sempre, origem em actividades humanas, seja através da poluição urbana e doméstica (esgotos domésticos, fossas sépticas, lixeiras), poluição agrícola (através da aplicação de fertilizantes ou pesticidas, que, quando mal aplicados, penetram no solo ou escorrem até cursos de água), poluição industrial (eliminação de resíduos industriais nas águas superficiais ou subterrâneas ou através de derrames durante processos de armazenamento e transporte). Esta poluição atinge, através da infiltração no solo ou através de escorrências, cursos de água subterrâneos ou superficiais.

Por isso mesmo, cada vez existe menos água potável na natureza. Logo, para que uma água reúna as características mínimas necessárias para a tornar potável (ou seja, para que a água não provoque doenças às pessoas que a consumam), é necessário sujeita-la a processos de tratamento que, nalguns casos, alteram as suas características organolépticas (cor, cheiro, sabor). Um dos processos de tratamento mais vulgares é a cloragem, ou seja, através de um processo químico (geralmente feito com hipoclorito de sódio) a água é desinfectada, destruindo-se microrganismos que poderão colocar em risco a saúde dos consumidores. A água fornecida pelo sistema de abastecimento público é sujeita a este processo e, para verificar se mantém níveis de qualidade suficientes desde o local de tratamento até ao local de consumo, é sujeita a análises microbiológicas e químicas ao longo de todo o ano.

No entanto, este processo de tratamento tem a desvantagem de deixar algum cheiro e sabor na água (sabor a lixívia), o que faz com que um grande número de pessoas rejeite a água de abastecimento público e arranje formas alternativas de água, tal como o uso de poços ou nascentes de água. A água proveniente destas origens pode, no entanto, não ter a melhor qualidade, pois não sofre qualquer tratamento e é consumida tal e qual como é captada da natureza. A verdade é que uma água imprópria para consumo humano pode não ter cor ou sabor estranho, mas estar contaminada com microrganismos ou produtos químicos causadores de doenças graves, como por exemplo gastroenterites, cólera, febre tifóide ou hepatite A.

Pelo facto da água do sistema de abastecimento público garantir uma maior qualidade, os estabelecimentos (restaurantes, cafés ou snack-bares, padarias, pastelarias, entre outros) são obrigados a possuir e a utilizar água proveniente deste sistema. De facto, um poço, mina ou furo, apenas poderá ser utilizado caso não seja possível o acesso ao abastecimento público de água. Refira-se, ainda, que caso seja utilizada água de poço, mina ou furo, esta água deverá ser sujeita a análises microbiológicas e químicas ao longo do ano, devendo, até 31/05/2010, todos os proprietários de poços, furos ou minas proceder à regularização do Título de Utilização de Recursos Hídricos junto da Administração da Região Hidrográfica do Norte, I.P.



Nota: Artigo elaborado por Paulo Martins, Técnico de Saúde Ambiental da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende e publicado a 13/01/2010 no "Jornal de Barcelos"

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Gripe A

Numa fase em que tudo parece ter sido já dito a respeito da Gripe A, vamos insistir no tema, com a expectativa de clarificar, “eliminar o ruído” de alguma informação mal interpretada e sistematizar os conhecimentos actuais sobre a doença e a sua forma de evolução.

Descoberta no México, no início do Verão passado, provocou justificado alarme pela forma de propagação extremamente rápida, por apresentar alguns quadros de evolução sintomatológica aguda, com desfecho fatal, e por ter uma incidência preferencial nos grupos mais jovens da população. Com estas características que a diferenciavam da comum gripe sazonal, os estudos a que se procedeu deram-nos a conhecer o grande responsável – vírus H1N1.

Justificava-se todo o alarme e importância que lhe foi dada? Agora é fácil falar e emitir opiniões, na altura era necessário actuar e prevenir.

Para quem estava no terreno, desde o aparecimento dos primeiros doentes confirmados, houve a percepção de que a maioria dos casos de contágio pelo H1N1, surgidos em Portugal durante o Verão, se desenrolavam com uma sintomatologia tão esbatida, que os próprios doentes e familiares se riam da ameaça da terrível gripe: “Então é isto a gripe A? Já tive constipações bem mais fortes!”

Atrás deste lado “caricato” veio a percepção, reforçada pela execução de diversos inquéritos epidemiológicos, de que muita gente teria sido já contagiada mas, dada a vulgaridade dos sintomas, não os tinham valorizado, nem por sombras tinham suspeitado do que lhes tinha batido à porta.

Estávamos nós no doce rimanço de um calor aprazível (que muito contribuiu para amansar um vírus que gosta mais do frio), quando somos despertados para o risco do H1N1: uma mulher grávida encontra-se em risco de vida.

Após este primeiro caso outros surgiram, todos em pessoas com idade inferior a 45 anos, até que, no início de Setembro é anunciada a disponibilização da vacina, em Portugal, para o fim desse mesmo mês.

Começou a desinformação! Uns pecaram por atribuir ao H1N1 a capacidade de desencadear sintomas bem mais graves do que o habitual, outros por considerarem tudo uma ficção, como se, de facto, não existissem casos graves com origem nessa, aparentemente inócua, infecção vírica. Outros procuraram influenciar a população para recusar a vacina, com o argumento de não estar suficientemente testada.

Todos parecíamos ter esquecido o essencial:


  • ninguém gosta de estar doente 

  • a facilidade de propagação deste vírus poderia originar a simultaneidade da doença em várias pessoas de uma mesma instituição/organização, levando a quebras ou mesmo a paragem de laboração

  • a capacidade para, por mecanismos não esclarecidos, provocar doenças respiratórias graves e mesmo mortais pode atingir qualquer indivíduo, mais facilmente crianças e adultos jovens

  • todos os hábitos de higiene que o Ministério da Saúde fez questão de divulgar deveriam estar de tal forma entranhados na nossa prática quotidiana, que não seria necessário insistir neles.

Parece-nos, aliás, que a principal vantagem de todo este processo pode ser, exactamente, a tomada de consciência, por grande parte da população, da importância de pequenos gestos para a prevenção de doenças.

Pois, e a vacina?

Bom a vacinação tem decorrido bem, mas com alguns sobressaltos. Em Lisboa anuncia-se a existência de grandes quantidades de vacinas, por aqui chegam quantidades exíguas face às necessidades para dar cumprimento à vacinação dos grupos prioritários, quanto mais para dar resposta à procura da população em geral.

Acabará por chegar a todos os necessitados e interessados, mais facilmente agora que a Ministra Dr.ª Ana Jorge anunciou um abrandamento do número de casos diagnosticados, inferindo daí que já teria sido ultrapassado o pico da pandemia, em Portugal.

Concordo com a Sr.ª Ministra e espero que as suas palavras contribuam para acalmar alguns ânimos, mas é imperativo que, lá mais para a Primavera, se faça uma rigorosa análise retrospectiva de como decorreu todo este processo, desde o primeiro momento, as falhas sejam denunciadas, se revejam os circuitos de comunicação, não para fazer rolar cabeças, mas para evitar que, numa hipotética situação de futura pandemia que ponha em risco a vida de muitos, haja muitos outros a perder a cabeça.

Nota: Artigo elaborado por Aristides Sousa, Médico de Saúde Pública e Coordenador da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende e publicado a 06/01/2010 no "Jornal de Barcelos" e Jornal "A Voz do Minho"