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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Pão Com Menos Sal

O projeto Selo Pão com “Menos sal, mesmo sabor” surge no âmbito do protocolo estabelecido entre a Direção-Geral da Saúde (DGS), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e as Associações dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares, com vista a acordar um conjunto de medidas com o objetivo de reduzir o teor de sal no pão.
O consumo excessivo de sal pela população é um dos maiores riscos de saúde pública em Portugal. De acordo com os dados do último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física IAN-AF (2015-2016), a população portuguesa apresenta um consumo médio de sal de 7,3 g (2848 mg/dia de sódio), superior ao valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde (não superior a 5g de sal por pessoa, por dia). A ingestão de sódio acima do valor máximo recomendado verificou-se em 65,5% das mulheres e 85,9% dos homens. O consumo elevado de sal está associado ao desenvolvimento de um conjunto de doenças crónicas, em particular as doenças cardiovasculares que representam atualmente uma das principais causas de morte da população portuguesa.
De acordo com o estudo Global Burden of Diseases (GBD), os hábitos alimentares inadequados dos portugueses são o fator de risco que mais contribui para a perda de anos de vida saudáveis, sendo que a ingestão excessiva de sal surge como o comportamento alimentar inadequado que mais contribui para a perda de anos de vida saudável.
Deste modo, a definição e implementação de estratégias com o objetivo de reduzir o consumo de sal por parte da população portuguesa assume uma extrema importância no contexto da prevenção das doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas. O plano de ação de 2015-2020 da OMS na área da alimentação e da nutrição, sugere que as estratégias na área da redução do consumo de sal são uma das melhores abordagens (estratégias com baixo custo e elevada eficácia) para a prevenção das doenças crónicas na população na região europeia. Estudos sugerem que uma redução de 20 a 35% do consumo de sal pode traduzir-se numa redução em 25% do risco de doença cardiovascular.
De acordo com dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física IAN-AF (2015/2016), em Portugal, o pão e seus subprodutos, pelo seu elevado consumo, correspondem a um dos principais alimentos a contribuir para a ingestão de sal dos portugueses.
Portugal, apresenta já desde 2009, legislação que estabelece o limite máximo para o teor de sal no pão (1,4g de sal por 100g de pão). Contudo, sabendo que é possível reduzir ainda mais o teor de sal no pão, e sabendo também que existem atualmente muitas padarias portuguesas que têm vindo a desenvolver um excelente trabalho nesta área tendo conseguido produzir pães com teor de sal significativamente abaixo do valor definido atualmente pela Lei n.º 75/09, de 12 de agosto, o protocolo de colaboração entre a DGS, INSA e as Associações dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares, estabeleceu novas metas para a redução de sal no pão, tendo como meta final um teor máximo de sal no pão de 1,0g por 100g de pão. Como metas intermédias foram estabelecidas as seguintes: 1,3g de sal por 100g em 2018, 1,2g de sal por 100g de pão em 2019 e 1,1 de sal por 100g de pão em 2020. Este protocolo estabelecido com as Associações dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares, para além de definir um conjunto de metas faseadas e progressivas para a redução do teor de sal no pão, prevê também a realização de uma campanha de comunicação/sensibilização para a redução do consumo de sal e para a promoção do consumo de pão, a nível nacional.
Este protocolo foi estabelecido no âmbito da Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS), publicada em Diário da República através do Despacho n.º 11418/2017, de 29 de dezembro de 2017. Este protocolo pretende dar cumprimento a uma das medidas da EIPAS, nomeadamente “promover a adequação dos perfis nutricionais para determinadas categorias de alimentos, nomeadamente relativamente à quantidade de sal, açúcar e ácidos gordos trans”.
Assim, a presente iniciativa Selo Pão com “Menos sal, mesmo sabor” pretende conceder uma distinção pública, através da atribuição de uma menção distintiva, às padarias que atualmente já cumpram a meta mais ambiciosa definida para o ano de 2021 para o teor máximo de sal no pão.
Este projeto surge tendo por base uma experiência já bem sucedida nesta área e levada a cabo pela Administração Regional de Saúde do Centro, nomeadamente o Projeto pão.come, já em curso desde 2007. Nesta região, e muito em resultado deste projeto, cerca de 76% das padarias já apresenta pão com teores de sal abaixo do valor definido como meta para o ano de 2022 (inferior a 1g de sal por 100g de pão).

Para mais informações, consulte aqui.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pela sua saúde - reduza o consumo de sal


O consumo de sal na alimentação tem sido abordado com alguma frequência, dando por vezes, a ideia errada de que o sal é o inimigo invisível. No entanto, o sal como a grande maioria dos alimentos deve ser consumido de forma controlada e moderada. Em Portugal, a quantidade de sal presente na alimentação é sensivelmente o dobro daquela que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tornando-se por isso urgente começar a reduzir, de forma progressiva, a quantidade de sal na alimentação.

A OMS recomenda um nível de consumo de sal de menos de 5g por pessoa por dia para a prevenção de doença cardiovascular. Contudo, a ingestão de sal na maioria dos países da Região Europeia está muito acima da quantidade sugerida.

Existe evidência científica de que o atual consumo elevado de sal em toda a Europa é um fator importante de hipertensão e por conseguinte de doenças cardiovasculares, do aumento do risco do aparecimento de determinados tipos de cancros, de sobrecarga do funcionamento renal e de uma maior retenção de líquidos pelo organismo.

Portugal é um dos países da Europa que apresenta uma maior taxa de mortalidade provocada por acidente vascular cerebral, sendo a hipertensão arterial um dos fatores de risco mais relevantes. Na tentativa de inversão desta problemática a Direcção-Geral de Saúde publicou no seu site (www.dgs.pt), o relatório “Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal na Alimentação em Portugal” e o documento informativo “Utilização de Ervas Aromáticas & Similares na Alimentação”, que reforça a importância da utilização de ervas aromáticas como substituto do sal.

A Direcção-Geral da Saúde consciente da importância da redução do consumo de sal e da mais-valia das ervas aromáticas devido à sua composição nutricional e funções que desempenham na saúde, recomenda, o uso destas plantas na substituição do sal, uma vez que uma grande parte da população desconhece muitas delas, bem como o seu modo de utilização e os seus benefícios para a saúde.

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu uma meta de redução global no consumo de sal na dieta, e pediu a todos os países para reduzir a ingestão média de sal na população para valores menores ou iguais a 5 g/dia, com o objetivo de reduzir o consumo de sal em 30% até 2025.

Vamos colaborar pela nossa saúde!

Nota: Elaborado por Fátima Pereira, Enfermeira de Saúde Comunitária da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende. Fotografia de Dario Silva. Imagem do topo da mensagem obtida a partir do site de imagens gratuitas morgueFile.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A importância do sal na alimentação infantil

Estudos realizados em Universidade do Reino Unido concluíram que a maioria dos bebés começa a receber alimentos sólidos em torno dos 3 a 4 meses e que aos 8 meses, a média de ingestão de sal já é mais do que o dobro da recomendação máxima para essa faixa etária. Muitos deles recebem como bebida principal o leite de vaca, que tem níveis mais elevados de sal do que o leite materno ou fórmulas industriais, apesar das recomendações de o leite de vaca só dever ser dado a bebés acima de um ano de idade.

A natureza proporciona uma quantidade ideal de sal para os bebés saudáveis. Essa quantidade é encontrada no leite materno que embora tendo um teor muito baixo em sal é suficiente para um saudável crescimento e desenvolvimento do bebé.
Se não amamentar deve escolher para o seu bebé um leite em pó, próprio para bebés, que tem um teor em sal semelhante ao do leite materno.

Os bebés necessitam de alimentos especialmente preparados para eles, sem adição de sal.
Quando chegar a altura do seu bebé iniciar a dieta com alimentos sólidos, verifique o teor em sal dos alimentos que compra. O ideal é que esses alimentos sejam preparados em casa. Uma alimentação adequada é um fator de equilíbrio para a criança.

O consumo de sal deve ser substancialmente reduzido em crianças antes do 1º ano de vida.
Altos níveis de sal podem causar danos nos rins em desenvolvimento.

O hábito de ingestão de sal em excesso, pode desenvolver nas crianças um gosto por alimentos salgados, criando más práticas alimentares que continuam na idade adulta, resultando mais tarde em problemas de saúde, como por exemplo a hipertensão arterial.
Em crianças entre 1 a 3 anos, a recomendação é de 2,5 gramas de sal de cozinha ao dia, aproximadamente 1 colher de chá.

Dos 4 aos 18 anos as recomendações de ingestão de sal aproximam-se das do adulto, no máximo 6g de sal de cozinha por dia. No entanto, essas recomendações geralmente ultrapassam o valor recomendado.
A importância real do sal é como tempero e não há necessidade nutricional em adiciona-los aos alimentos. Uma característica importante do sal de cozinha é o fato dele ter suplemento em iodo em todo o mundo, no sentido de evitar a carência de iodo em áreas cujo solo e águas são pobres nesse mineral. Dessa maneira é realizada a profilaxia das doenças da Tiróide por carência de iodo, muito graves na infância.

O cuidado com o consumo de sal do seu bebé e de toda a família é uma atitude adequada no sentido de uma melhor saúde.

É importante recordar que deve consultar sempre seu médico(a) ou enfermeira (o) em tudo o que se relacione com a alimentação do seu bebé.

Nota: Elaborado por Ancila M. Brás Gomes, Médica de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública de Barcelos/Esposende. Fotografia de Dario Silva.