Nos últimos 11 anos, Portugal tem
vindo a apresentar, consistentemente, uma tendência invertida nas prevalências
de excesso de peso e obesidade infantil. Segundo dados preliminares da 5ª fase
do COSI Portugal, sistema de vigilância nutricional infantil integrado no
estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa, coordenado pelo
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, verificou-se de 2008 para
2019 uma redução de 8,3% (37,9% para 29,6%) e 3,3% (15,3% para 12,0%) nas
respectivas prevalências.
Entre 2008 (1ª ronda) e 2019 (5ª
ronda), todas as regiões portuguesas mostraram um decréscimo na prevalência de
excesso de peso (incluindo obesidade). Este decréscimo foi mais acentuado na
Região dos Açores, com uma diminuição de 10,7% (46,6% em 2008 vs 35,9% em
2019), e na região do Centro (38,1% em 2008 vs 28,9% em 2019), com uma
diminuição na prevalência de 9,2% nos últimos 11 anos.
Em relação apenas ao estudo COSI
Portugal 2019, observou-se que a Região do Algarve foi a que apresentou menor
prevalência de excesso de peso infantil (21,8%) e os Açores a que apresentou a
maior prevalência (35,9%). A Região do Alentejo foi a que apresentou menor
prevalência de obesidade infantil (9,7%).
Ainda de acordo com os dados
preliminares deste estudo, apresentados durante o Simpósio “CIOI – Obesidade
Infantil”, em 2018/2019, a prevalência de baixo
peso foi de 1,3%, a prevalência de excesso de peso (pré-obesidade + obesidade)
foi de 29,6% e destes 12% apresentavam obesidade infantil.
Coordenado por Ana Rito,
investigadora do Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Ricardo
Jorge, o COSI Portugal 2019 revela também que a prevalência de baixo peso foi
maior nos rapazes (1,6%) comparativamente com as raparigas (0,9%). Igualmente o
excesso de peso e obesidade infantil foi mais prevalente nos rapazes (29,6% –
13,4%) do que nas raparigas (29,5% – 10,6%), respetivamente.
À semelhança das rondas
anteriores, verificou-se que a prevalência de obesidade infantil aumenta com a
idade. Em 2018/2019, 15,3% de crianças de 8 anos tinham obesidade, incluindo
5,4% de obesidade severa, comparativamente com as crianças de 6 anos que
apresentaram 10,8% de obesidade, incluindo 2,7% de obesidade severa.
Na 5ª ronda COSI Portugal,
realizada durante o ano lectivo 2018/2019, foram propostas 8844 crianças de
escolas do 1º ciclo do Ensino Básico das regiões de Portugal, tendo sido
avaliadas 7210 crianças (48,9% raparigas e 51,1% rapazes), entre os 6 e os 8 anos
de idade, de 228 escolas participantes. Esta amostra é a maior de todas as
fases decorridas até ao momento (2008, n=3765; 2010, n=4064; 2013, n=5935;
2016, n=6745).
O COSI Portugal está integrado no
sistema europeu de vigilância nutricional infantil, no qual participam 43
países da Região Europeia da OMS, e constitui por excelência o estudo principal
que providencia dados de prevalência de baixo peso, excesso de peso e obesidade
de crianças portuguesas dos 6 aos 8 anos.
Coordenado cientificamente pelo
Instituto Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Alimentação e Nutrição
e em articulação com a Direcção-Geral da Saúde, o COSI Portugal conta com a
colaboração, a nível regional, de todas as Administrações Regionais de Saúde e
ainda com as Direcções Regionais de Saúde dos Açores e da Madeira,
designadamente o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da
Madeira. Portugal participa nesta iniciativa da OMS/Europa desde o seu início.
Para mais informações, consulte aqui.

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